sábado, 16 de junho de 2012

quem quer dinheiro?


Sem querer armaram pra você.
Quando menos imaginava estava sendo assistido por um monte de gente que já tinha cansado dessa sua voz mansa, que engrossa quando te convém.
Uma noite daquelas, que você era acolhido como se estivesse na sua casa, dava gargalhadas e comia do bom e do melhor, mas não bastava.
Você esperou todos se deitarem pra você levantar e tomar a sua água..
Que ideia essa minha de deixar a bolsa na cozinha, não é mesmo?
Você não aguentou, mexeu na bolsa e dali tirou todo o dinheiro e toda a deslealdade que nunca tinha mostrado.

Bastou o dia amanhecer pra que o seu sono fosse perturbado de um jeito que nunca esperava.
- Foi você!
- Não, não foi eu. (com a voz mais calma do mundo)
- Se não foi você, foi quem? O cachorro?
- Não foi eu. (com a voz trêmula)
- Agora eu não estou mais perguntando, devolve tudo que você roubou!

Como continuar negando tudo? Naquele momento toda a afinidade que você havia criado desabou em um só instante. Todo o carinho que você havia tido, acabou.
Infelizmente é assim.

Eu só sei que, durante aquele momento (turvo, caótico, inesperado), senti o seu olhar inquisidor de quem diz 'materialismo a essa altura do campeonato?'. Não me importei. Porque a verdade é que o roubo verdadeiro foi o de sentimentos genuínos que eram cultivados com carinho e certeza. Os ganhos virão novamente, mas não posso dizer o mesmo do seu lugar garantido na minha lista de afetos. É aquela história: os anéis se vão, mas os dedos ficam. Só que, neste caso, você levou tudo (especialmente um pedaço do meu coração que agora bate com certo pesar ao lado de cicatrizes que não vão sarar facilmente).

Eu perdi o dinheiro, momentaneamente, você perdeu a honestidade e o caráter... para sempre.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

mundinho

Jurei pra mim que não ia mais te procurar pra nada e não procurei.
Não vou me iludir quando eu vejo que sente a minha falta, quando pergunta por que sumi e se preocupa se estou com raiva de você ou não.
Quer saber de uma coisa? Tanto faz!
Tanto faz se você vai sentir minha falta ou não, tanto faz se faço diferença ou não. 

E eu vi o quanto foi duro pra você ver que não sou mais a mesma, ver que da sua vida, nada me interessa.
Deve ser complicado, a única pessoa que te ouvia, agora tapa os ouvidos.
Deve ser chato, a única pessoa que dizia te amar, agora não te suporta.
Deve ser triste, achar que você era uma pessoa sozinha antes, quando eu estava ao seu lado, e só agora perceber o que é estar só de verdade.

Seja bem-vindo ao mundo que você fez questão de fazer parte,.
Esse é o mundo em que você não vai conseguir fazer ninguém sofrer e nem vai fazer com que ninguém te abandone, por que você sempre vai estar sozinho.
É meu bem, a vida é feita de escolhas.

E eu escolhi seguir em frente para sentir novos ares, cheiros, cores, amores e indecoros. Porque é assim mesmo, sabe? Viver um dia após o outro intensamente tendo (in) consciência de pecados insignificantes que apenas provam a fraqueza da carne. É humano. E de erros você deve saber bem.

Enquanto coloco aquele óculos Ray Ban que você tanto odiava e ligo a música no máximo, me delicio com cada segundo Anthropology que me fazem ridicularizar suas palavras mesquinhas de quem se perpetua no comum. “Essa coisa de liberdade nos moldes de hipster não faz sentido, é besteira. Desencana”, você dizia. Segui o seu conselho e desencanei. De você. De suas palavras bruscas e de seus desafetos do depois.

Respiro. Para o agora, o depois e o sempre indefinido. Não vou dizer que você virou peça nos fundos mais descuidados do meu museu, nem que as cicatrizes marcadas por sua indiferença vão fugir de mim assim. Mas, ah, meu bem, essas marcas só mostram a minha força e os meus ideais. E, nesse momento, enquanto sinto o leve toque de mãos gentis em minha pele desnuda, sorrio simplesmente por constatar que o mundo continua girando – e bem mais estável e suave sem a sua presença.

“Nós somos feitos de estrelas, eu acho.” Murmuro sonolenta. Recebo um beijo seguido por dedos entrelaçados como resposta.
“Não sei quanto a isso, mas você, definitivamente é a minha.” E eu fecho os olhos para sonhar com verdades, carícias e a existência daquela palavra de letra 'a' novamente. (Só não espere ouvi-la dos meus lábios por mais uma vez.)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

opção

Ela não cansava de apanhar. A cada desdém atirado na cara, uma insistência da parte dela.
Todos os dias ela fazia questão de dar a atenção a ele, que tanto a humilhava. Fingia não sentir nada, só escutava, preferia se anestesiar a cada conversa e quando começava a sentir alguma coisa, já encerrava o assunto. Preferia mendigar todos os dias o amor dele. Se humilhava com medo de perder o grande amor da sua vida. Não se sentia capaz de esquecer e a cada conversa, por mais humilhante que fosse, uma esperança estranha reacendia.

Conversei com ela esses dias e perguntei como estava. Ela disse que já estava cansada de sofrer, mas que não sabia como agir.  Foi fácil demais pedir pra ela esquecer esse cara. E com o rosto mais triste do mundo ela disse: - É o que eu mais quero!

Eu já estava desesperada sem saber o que fazer, imagina ela? Imagina querer tirar alguém da sua vida e não conseguir? Imagina passar o dia pensando em estar com alguém que não merece, sequer, o seu bom dia? Eu fiquei imaginando como deve ser péssimo. Ela continuou triste enquanto eu pensava em alguma coisa pra ajudá-la.

Eu era a parte racional da moça triste, resolvi comandar a situação e jurei pra mim e pra quela que a partir de agora, nem mais uma humilhação, nem mais uma lágrima. E sempre lembrar... foi ele quem quis assim.

sábado, 2 de junho de 2012

viagem sem mala


Aposentei meu fone de ouvido e mudei o meu trajeto pra casa. 
Toda aquela balela de se dar o valor está começando a fazer sentido na minha cabeça. Mendigar carinho e atenção? 

Você diz que gosta. Mas que gostar é esse que te permite desligar o telefone no meio da conversa? Que gostar é esse que faz com que você só procure quando está com um problema? Que gostar é esse que briga, sem motivos, e não dá apoio quando precisam de você? Que gostar é esse que faz com que perca o respeito com quem só quer o seu bem?

Não precisa gostar demais!
Mas precisa respeitar e ter consideração pela única pessoa que fica ao seu lado quando todas as outras, inclusive a sua família, te dão as costas.
Só precisa prestar mais atenção em quem fica á disposição quando o seu mundo desaba. 

Mas será que você é capaz disso? De considerar alguém ou ter respeito?
Pode ser que o número que você sempre liga, não chame mais.
Quando a gente não cultiva, a gente perde. 

A partir de agora é assim... traçando novas rotas e escutando mais as pessoas.
Resolvi fazer uma viagem e dessa vez você não vem comigo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

assim


Adoro ver como você se sente seguro sabendo que sempre vai ter alguém do seu lado, que esse alguém sempre vai atender quando você chamar. 
É tão bom esnobar quem a gente gosta, massacrar o sentimento alheio com os mais absurdos casos de orgias insanas. 
- Ah meu bem, acaricia o meu ego, fala que não consegue me esquecer!
Eu não entendo essa insistência. Você não tem certeza que eu não consigo te esquecer? Então pra quê pedir que eu confirme?
- Ah meu bem, fique bem aí do jeito que você está, é o suficiente.
Longe de mim é o bastante. Não quero mais você em minha vida, mas você não precisa saber disso.
Vou deixar você achar que está tudo bem, tudo normal. Vou deixar você dormir sossegado e continuar se sentindo seguro, quanto ao meu eterno amor. 
Só peço que não acorde, não sei como vai reagir quando ver que eu não estou mais do seu lado.